Aula sobre ciência


Caros colegas, compartilho com vocês, slides referentes a uma aula sobre ciência. O conteúdo pode ser acessado pelo link:

Nesta aula desenvolvemos uma breve análise sobre os conceitos do termo ciência desde os mais tradicionais, até os mais contemporâneos. Analisamos também os pressupostos básicos da ciência tradicional e da ciência contemporânea. Finalmente, mostramos brevemente a classificação das ciências.

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A relação entre biblioteca e bibliotecário: uma breve reflexão


O contexto majoritário da sociedade considera a Biblioteca um simples espaço de leitura e empréstimo de livros. Muitos Bibliotecários ainda estão no ostracismo de trabalhar a função técnica da Biblioteconomia, valorizando, sobretudo, a catalogação, classificação e indexação. Isso implica dizer, evidentemente, que a visão de ambos os aspectos encontram-se cerceadas a terminologias vagas. Todavia, essa “vaguidade” pode ser suscetivelmente percebida pela classe biblioteconômica e alguns grupos de áreas afins.

Assim, fica a interpelação: Quais motivos levam os dois aspectos supramencionados a se caracterizarem de forma tão supérflua? Inicialmente é importante afirmar que a Biblioteca, normativamente, falando deveria desenvolver atividades muito mais amplas do que as tradicionais que são os empréstimos de livros. Em segundo lugar, vale a ressalva que o profissional adequado para trabalhar no desenvolvimento das atividades de uma Biblioteca é o profissional Bibliotecário. Então, estes profissionais não desenvolvem corretamente ou desenvolvem cerceadamente as atividades prementes de uma Biblioteca?

Seria mais uma vez vago responder afirmativamente a questão. É praticamente impossível avaliar as condições do contexto conjuntural entre biblioteca e bibliotecário, sem mencionar e elucidar algumas questões: a educação, sociedade governo, mídia.

O primeiro fator reflete a máxima da afirmação de muitos intelectuais: o investimento na educação é primordial para o desenvolvimento político, social, econômico, cultural e tecnológico do país. Isso aconteceu em países como o Japão, Alemanha, etc. A Biblioteca deveria ser utilizada como instrumento de educação suplementar. O que seria isso? Simplesmente o aparato onde a sociedade poderia exercer suas atividades escolares, acadêmicas, como leituras, escritos e, mormente a pesquisa, pois esta faz parte das características de uma formação mais ampla dos estudantes, vez que insufla a prática dos outros fatores citados.

Desse modo, como a Biblioteca não é bem explorada em seus atributos culturais e científicos o Bibliotecário fica a mercê de um tecnicismo, onde a prática de técnicas estudadas no curso de Biblioteconomia torna-se atividades preponderantes. Isso ocorre em virtude de inúmeros fatores: falta de estrutura da universidade para o desenvolvimento de atividades, desinteresse do docente, que fica resignado com as técnicas estudadas, sem procurar fontes de informação mais amplas para desenvolver atividades que corroborem mais com o seu local de trabalho, concomitantemente ao cerceamento de muitos locais de trabalho em exigir do Bibliotecário apenas o uso das técnicas acima mencionadas, sem reconhecer o valor de atividades educativas, sociais e culturais, que poderiam ser concretizadas por este profissional, dentre alguns outros aspectos.

Em complementação ao primeiro, o segundo é a prova cabal dos maus investimentos na educação, vez que a maioria não reconhece a Biblioteca como um pólo importante para grandes atividades. Os motivos são os mais variados possíveis: questão social, onde milhões de pessoas pouco têm o que comer, e dificilmente atentarão para a Biblioteca como uma corroboração para a sua vida. Uma frase do grande filósofo Karl Marx pode ampliar os laços de inteligibilidade do assunto, quando afirma que o ser humano para o desenvolvimento de suas atividades básicas como andar, correr, estudar, é necessário que ele tenha subsistência alimentar. Desse modo, é possível compreender que em virtude dessa questão milhões de pessoas não poderão reconhecer as atividades da Biblioteca, dado que essa grande quantidade de pessoas não tem condições físicas, sociais, cognitivas e intelectuais de usufruir da instituição supramencionada, bem como esta pouco chega às comunidades mais carentes, com o intuito de suprir necessidades educativas e alimentares (embora a segunda não seja o seu papel, mas para o seu reconhecimento nas comunidades carentes é um forte aliado) e quando chega é de forma efêmera, no contexto majoritário dos casos evidentemente.

Para uma compreensão mais elucidativa do assunto é preciso mencionar a vertente governamental que implica dizer a questão política. O governo pouco investe em educação no Brasil, comprovando um alto índice de disparidade social, miséria, fome, dentre outros fatores. O investimento do governo na educação está comprovado que é o principal fator aumentativo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Contudo, este fato ainda está muito aquém de ter eficácia no Brasil. Assim, as Bibliotecas, como instrumento de educação suplementar ou, para alguns, até básica, fica sem estrutura física, de acervo e financeira para que o bibliotecário tenha fomento e condições para o desenvolvimento de outras atividades.

O quarto fator refere-se à mídia. Em alguns casos, o monopólio midiático oferece de informações sem análises mais profundas, onde o espectador não consegue absorver de forma promissora as informações emitidas. É evidente que a mídia produz grandes conteúdos, concomitantemente a conteúdos supérfluos e alienantes. Outro fator da mídia é o monopólio que interfere nas questões políticas do país, onde esta se apossa de vários interesses governamentais, prejudicando o interesse da população em seu aspecto majoritário.

Vale salientar como esses fatores são importantes para a constituição de uma Biblioteca reconhecida e de um Bibliotecário atuante. Com efeito, é importante que a classe biblioteconômica atente para os problemas da Biblioteca, a fim de que ambos possam ser reconhecidos com importantes atividades para a sociedade e para o país. Percebe-se que a escassez de ações políticas por parte da categoria, é outro motivo que leva ao descaso com as Bibliotecas.

Dessa forma, é fundamental a ação das categorias, que numa deliberação coletiva entre conselhos, associações, profissionais, docentes e estudantes combatam esse tipo de postura adotada pelo governo, visto que isso se caracteriza como total desvalorização da profissão de Bibliotecário para o desenvolvimento das atividades em questão. Não obstante a necessidade de capacitação do Bibliotecário para desenvolver tarefas de cunho eminentemente tecnológico (automação de Bibliotecas, Bibliotecas Virtuais, softwares livres); políticas (debates, seminários); sócio-educativas (trabalhos comunitários, visando o estímulo a leitura) e culturais (exposições de diversos assuntos), é preciso perceber que muitas aplicações a atividades em Bibliotecas relegam o Bibliotecário. Esta não é a única e nem será a última se não houver uma ação eminentemente política por parte das categorias biblioteconômicas. Está faltando ação política ao Bibliotecário, a fim de reivindicar maior visibilidade no mercado e na sociedade. É preciso união e o objetivo do enaltecimento da profissão, visando a concomitante sobrepujança da instituição Biblioteca.

Verifica-se também a importância de uma ação política dos Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRB’s e Conselho Federal de Biblioteconomia - CFB), Associações (pode ser encabeçada pelas associações estaduais), a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB), bem como de Docentes, Profissionais e Estudantes disseminados pela nação, visando possibilitar uma grande articulação, a fim de pressionar os órgãos governamentais e outras instituições a reconhecerem efetivamente a profissão do Bibliotecário como importante para a sociedade.

Para tanto, é mister que seja trabalhado em cada estado e/ou a partir de uma integração entre os estados uma força tarefa que vise, inicialmente, a sensibilização e posterior mobilização das categorias biblioteconômicas para o êxito do reconhecimento da instituição Biblioteca e da Profissão Bibliotecário. A ação deve partir de um grupo consciente e envolvido com a causa. É difícil, mas é preciso um grande pensamento politizado, concatenado e reivindicatório, de sorte que há uma interdependência e reciprocidade de ações, entre a Biblioteca e o Bibliotecário, o que facilita o crescimento de ambos.

Contudo, de nada adianta toda essa mobilização se não houver projetos, idéias e propostas. Uma profissão que quer ser reconhecida no mercado precisa de uma mobilização política baseada numa proposta sólida. Muitas vezes o bibliotecário se questiona por qual motivo a sua função não é tão valorizada. Mas seria mais pertinente perguntar antes: qual a minha função profissional? Quais os projetos que eu tenho a mostrar, visando a satisfação da sociedade? Quais as minhas propostas de ação profissional, visando ser aceito e reconhecido pela minha instituição.

Portanto, essa relação entre biblioteca e bibliotecário aprece muito óbvia para a classe biblioteconômica no pensamento, mas será que na prática essa relação é tão visível assim? Olhando para as bibliotecas públicas, escolares, comunitárias e populares essa relação passa a não ser tão óbvia assim. Agora, imagine para a sociedade. Por isso, é de fundamental importância que a formação acadêmica em Biblioteconomia e a prática profissional estejam direcionadas no agir social, na satisfação dos interesses da sociedade, pois são eles que irão valorizar ou não a profissão. Mas enquanto a função do bibliotecário estiver direcionada apenas no fazer técnico e organizacional (com as exceções logicamente), a sociedade dificilmente compreenderá o potencial da Biblioteconomia como uma área efetivamente capaz de fazer uma biblioteca fluir e mostrar o seu potencial social, cultural e educativo.

Jonathas Carvalho
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Abertas inscrições para o mestrado e doutorado em Ciência da Informação IBICT/UFRJ


Estão abertas as inscrições para o mestrado e doutorado em Ciência da Informação promovido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) em parceria com a UFRJ.

As inscrições têm seu início no dia 28 de outubro e vão até 13 de novembro de 2009.


Mais informações sobre o processo de inscrição e seleção no edital:


Outras informações sobre o Programa, Regulamento, Professores/Pesquisadores e as disciplinas do mestrado e doutorado acessar:


Boa sorte para quem tentar!!!

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Materiais sobre Bibliotecas Comunitárias



Caros leitores, disponibilizamos aqui alguns artigos, textos, sites, entre outros instrumentos que falem sobre biblotecas comunitárias. Como pouco se fala sobre o assunto e o pouco que se fala está normalmente fragmentado é pertinente agregarmos o que está sendo falado sobre o assunto.


É interessante também pensarmos que a Biblioteconomia precisa voltar mais o seu olhar para a criação e estruturação de bibliotecas comunitárias, pois aproximam a profissão da sociedade, ampliam os lações de ação social da área, além de mostrar que uma biblioteca bem construída precisa da participação direta de um profissional especializado que é o BIBLIOTECÁRIO.











MONOGRAFIA

DISSERTAÇÃO

TESE

LIVRO

SITES E BLOGS

Biblioteca Comunitária




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Modelo de Biblioteca Escolar - comunidade no ORKUT



Caros colegas, compartilhamos neste espaço a comunidade do ORKUT relativa a atividade de extensão, cujo nome é: MODELO DE BIBLIOTECA ESCOLAR.
A comunidade pode ser acessada em:

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=8183730&refresh=1

Estaremos frequentemente informando e atualizando sobre os encaminhamentos desse programa de extensão.

Informações sobre a proposta de extensão no link:

http://professorjonathascarvalho.blogspot.com/2009/08/modelo-de-biblioteca-escolar.html

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Atividade de reflexão - Disciplina de Metodologia da Pesquisa - Curso de Biblioteconomia da UFC - CARIRI


Atividade de reflexão referente a disciplina de Metodologia da Pesquisa em Ciência da Informação e Biblioteconomia do quinto semestre da UFC - CARIRI.

Diante dos problemas causados pela Influenza A subtipo H1N1, também conhecida como gripe A (H1N1) fazemos as seguintes perguntas:


Qual o papel da ciência no combate a Gripe A (H1N1)?

Qual o papel da Ciência da Informação, como área do conhecimento científico no processo de prevenção e orientação sobre a gripe H1N1?




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Trabalho sobre acesso a informação para pessoas com deficiência auditiva e visual


O aluno Cícero Carlos Oliveira da Silva do curso de Biblioteconomia da UFC - CAMPUS CARIRI desenvolve um trabalho a partir do SENAC do município do Crato (CE) relativo a inclusão social e informacional de deficientes visuais e auditivos. O discente mostra a Biblioteconomia brasileira a necessidade de um olhar mais atento para esse público que é tão significativo e, muitas vezes, pouco percebido por profissionais e pela sociedade de maneira mais ampla.

Carlos apresentou, juntamente com a professora do curso de Biblioteconomia da UFC - CARIRI Patrícia Maria da Silva, um trabalho no CBBD em Bonito - MS (2009) relatando a sua experiência sobre o trabalho que desenvolve, cuja temática foi:

O ACESSO A INFORMAÇÃO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA E VISUAL NA BIBLIOTECA DO SENAC CRATO (CE)

Disponibilizamos aqui o RESUMO do trabalho:

O relato trata das experiências com usuários deficientes auditivos e visuais da Biblioteca Especializada em Educação Profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) situada na cidade de Crato, no sul do Ceara. Com base nos serviços oferecidos no Instituto Benjamin Constant (IBC) e Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), desenvolve projetos de incentivo a leitura na sua Unidade de Informação. Percebendo a carência de atendimento especializado nas bibliotecas, para pessoas com portadoras de deficiências na Região do Cariri, forma e disponibiliza seu acervo especializado em braille e libras para pessoas com deficiência de Crato e cidades vizinhas.

Palavras-chave: Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Pessoa portadora deficiência visual. Pessoa portadora de deficiência auditiva. Biblioteca. Inclusão.

A estrutura do artigo comporta os seguintes tópicos:

1 INTRODUÇÃO

2 BIBLIOTECAS PARA AS PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS: AUDITIVA E VISUAL

3 A UNIDADE DE INFORMAÇÃO DO SENAC E OS SERVIÇOS DISPONIBILIZADOS

4 COMO TUDO COMEÇOU: etapas e contribuições para o acesso ao conhecimento da pessoa com deficiência

5 OS PROJETOS DA BIBLIOTECA

6 RESULTADOS E BIBLIOTECA EM NÚMEROS

7 CONCLUSÃO

8 REFERÊNCIAS


Quem quiser ter acesso ao artigo completo é só enviar e-mail para:
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Entrevista com Ezequiel Theodoro

Indicamos aqui uma entrevista feita pelo PNLL (Política Nacional do Livro e da Leitura) com Ezequiel Theodoro. Escritor e Pedagogo, Ezequiel Theodoro é mestre em educação pela Universidade de Miami e doutor em educação (psicologia da educação) pela PUC-SP. Sócio fundador e presidente de honra da Associação de Leitura do Brasil – ALB (biênio 2007-2008), também exerceu o cargo de secretário municipal de Educação de Campinas.

Para saber mais informações sobre o PNLL acessem o site: http://www.pnll.gov.br/

Nesta entrevista para o PNLL, Ezequiel conta como foi o III Encontro dos Dirigentes dos PNLL no Chile e os preparativos para o próximo COLE.
- O senhor acaba de retornar do Chile, onde participou do III Encontro dos Dirigentes dos PNLL. Qual o panorama atual da leitura no contexto ibero-americano? Houve alguma mudança significativa nos últimos anos?

Catorze países apresentaram os seus Planos Nacionais de Leitura e dois, os seus programas em fase de desenvolvimento, que poderão vir a ser Planos Nacionais. A mim me pareceu que existe uma forte preocupação em vencer os desafios que ainda persistem no campo da leitura e, ao lado disto, uma vigorosa redefinição - ou adensamento - da concepção de leitura, colocando-a no quadro dos direitos de cidadania e alçando-a à categoria dos processos educativos que são fundamentais ao desenvolvimento dos países. Cabe destacar a atmosfera de cooperação e intercâmbio que preponderou ao longo das reuniões, o que permite antever o nascimento de planos coletivos, cooperativos, colaborativos, para estudar mais profundamente os problemas existentes nas várias regiões ibero-americanas. Depois de presenciar todas as exposições e participar dos debates, não me restou dúvida sobre a existência de avanços e mudanças, para melhor, na maioria dos países participantes do encontro.

- Como o senhor avalia a situação brasileira em comparação aos outros países ibero-americanos?

Não ficamos devendo nada a nenhum deles, com exceção, talvez, da Argentina, que possui uma rede capilarizada e centenária de bibliotecas populares por todo o país e vários programas para a promoção da leitura, unindo dinamicamente educação e cultura. Segundo pude constatar, o nosso PNLL é um "modelo" para vários planos nacionais de leitura. Não posso deixar de relatar o carinho e o respeito que os participantes demonstraram por José Castilho, cujas intervenções foram magníficas ao longo de todo o encontro. Os programas que mais me impactaram foram: (1) o do Uruguai: o governo daquele país doou um laptop para cada estudante das escolas públicas e estabeleceu uma imensa rede de conexão à Internet por todos os cantos do país, incluindo a zona rural. Acredito que os resultados desse esforço serão sentidos a curtíssimo prazo; (2) o de Portugal, com um programa focado em bebês e crianças em idade de jardim de infância, envolvendo a orientação de país para dinamizar o livro e promover a leitura; e (3) o do Chile, que criou um personagem chamado "Leo" para fazer a difusão da leitura na mídia - sem dúvida um programa abrangente e ramificado, que deixará resíduos positivos para a formação de leitores.

- A ALB existe desde o começo dos anos 80 e o senhor está lá desde o início. Quais eram as metas naquela época e quais os desafios de hoje?

A meta básica não mudou em nada: continua sendo a "democratização da leitura no Brasil", pois a não-equidade e a injustiça social permanecem enraizadas em todas as esferas da sociedade brasileira. Patinamos durante muito tempo, fazendo uma política do livro desgarrada de políticas de leitura e o resultado está aí para a gente ver. Hoje em dia temos uma dívida social imensa no campo das práticas de leitura, principalmente da leitura da escrita (impressa ou virtual). E dentro de um panorama muito mais complexo, pois as novas tecnologias de informação modificaram significativamente os suportes e os modos de ler. Ainda acho que o desafio maior fica por conta do investimento em recursos humanos e em centros de difusão da leitura, capazes de gestar e operacionalizar uma revolução qualitativa nos vários quadrantes da leitura brasileira. A ALB e o COLE tentam, há 30 anos, contribuir para que a ciência avance, circule e sirva para orientar objetivamente as políticas de leitura em nosso país.

- A próxima edição do Cole é inspirada em uma frase do poeta Manuel de Barros, “o olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo”. O que precisamos transver para transformar o nosso país em uma sociedade leitora?
Transver criticamente o que nos falta para então de construir um terreno mais fértil e promissor para as práticas de leitura entre as classes sociais. Um terreno desigual em função das várias realidades que encontramos nas diferentes regiões brasileiras. A todo instante precisamos "ver-rever-transver" no sentido perceber com sensibilidade as necessidades educacionais, culturais e de leitura do nosso povo e projetar caminhos que levem os indivíduos para frente, evitando patinar ou retroceder. Temos autores, temos literatura, temos editoras de alto nível, mas falta-nos o desenvolvimento do outro pólo, o da leitura, para equilibrarmos a gangorra e chegarmos a uma sociedade leitora.

- Com a Web e outras mídias digitais, as pessoas irão ler mais? O estímulo à leitura hoje é um processo diferente de antes da explosão da Internet? Qual a sua avaliação dessas novas ferramentas para a divulgação da literatura e para a educação?

A escrita da Internet ainda é escrita, agora virtual. Esta escrita se soma às escritas manuscrita e impressa, abrindo perspectivas inusitadas para acesso aos múltiplos textos que encontramos nas e entre as sociedades do mundo contemporâneo. Em Santiago, no penúltimo dia do Encontro [dos Dirigentes dos PNLL], o pensador colombiano Jesus Martín-Barbero falou sobre a importância da linguagem digital e da multimídia no desenvolvimento dos leitores para a realidade de hoje. Inclusive, apresentou programas em que o ponto de partida é a análise crítica da mídia para, a partir daí, "escrever" a vida de uma outra forma. Hoje, convivemos com diferentes suportes e tecnologias da escrita e a educação não poderá nunca fugir a essa realidade, sob o risco de proporcionar um ensino obsoleto, fora do seu tempo. Isto não significa o abandono ou o esquecimento do livro e dos demais suportes impressos. Pelo contrário, o que defendo aqui é um ensino eclético, atualizado, que forme um leitor "redondo", capaz de uma convivência sadia com as várias escritas da atualidade, sabendo situar-se frente a todas elas em termos de conhecimento e usufruto.

- Qual a importância dos mediadores de leitura? Quais os aspectos que precisam ser trabalhados para consolidar o livro e a leitura no Brasil?

Pesquisas que venho realizando na Faculdade de Educação da Unicamp mostram que, infelizmente, os nossos mediadores de leitura, de pais a professores, estão lendo cada vez menos. Não é incomum encontrar professores com repertórios culturais reduzidíssimos, composto de fragmentos da cultura de massa. Cada vez mais frequentemente entram para o magistério pessoas que nunca leram um livro na vida ou que declaradamente afirmam não gostar de ler. Se tomarmos a leitura como um processo que qualifica as ações, reações e decisões de um sujeito, então veremos que é imprescindível que ele seja um alicerce para o trabalho de docência. Nestes termos, tomando os professores e bibliotecários como os principais agentes mediadores de leitura das sociedades contemporâneas, acredito que deveria existir um maior rigor nos processos de formação desses profissionais. Ao lado de uma formação rigorosa (básica e continuada) dos mediadores, temos que avançar muito na área das bibliotecas públicas e escolares e outras formas de difundir os artefatos da escrita e promover as práticas de leitura. Sem esse tipo de equilíbrio, regado com altos investimentos, não acredito em transformação, para melhor, da leitura no Brasil ou em qualquer outro país do mundo.
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Slides de aula sobre CDD


Caros colegas, compartilho com vocês slides de uma aula sobre a Classificação Decimal de Dewey (CDD). Os slides falam também sobre alguns Sistemas de Classificações Bibliográficas e Científicas, assim como sobre a utilização da CDD na atualidade. Os slides também constam de alguns exercícios de classificação pela CDD.

Os slides podem ser acessados no link:

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Indicação de livro sobre biblioteca pública


Abrimos espaço para indicar um livro sobre biblioteca pública escrito por Philip Gill, cujo título é:


O livro possui uma proposta muito interessante de análise sobre a realidade das bibliotecas públicas, pois mostra os procedimentos teóricos, técnicos, administrativos e práticos para uma conduta ética, transparente e preocupada com as necessidades do usuário.

Para se ter uma noção melhor do livro, eis o sumário do livro:

Prefácio
Introdução

Capítulo 1 Papel e objectivos da biblioteca pública

1.1 Introdução
1.2 Definição da biblioteca pública
1.3 Objectivos da biblioteca pública
1.4 Uma instituição de mudança
1.5 Liberdade de informação
1.6 Acesso para todos
1.7 Necessidades locais
1.8 Cultura local
1.9 Raízes culturais da biblioteca pública
1.10 Bibliotecas sem paredes
1.11 Os edifícios
1.12 Recursos
Capítulo 2 Enquadramento legal e financeiro

2.1 Introdução
2.2 A biblioteca pública e a Administração Pública
2.3 Legislação sobre as bibliotecas públicas
2.4 Financiamento
2.5 A tutela da biblioteca pública
2.6 Administração da biblioteca pública
2.7 Publicidade e promoção

Capítulo 3 Ao encontro das necessidades dos utilizadores

3.1 Introdução
3.2 Identificação de utilizadores potenciais
3.3 Análise das necessidades da comunidade
3.4 Serviços ao utilizador
3.5 Apoio ao utilizador
3.6 Formação do utilizador
3.7 Cooperação e partilha de recursos
3.8 Redes electrónicas
3.9 Acesso a serviços
3.10 Edifícios das bibliotecas

Capítulo 4 Desenvolvimento de colecções

4.1 Introdução
4.2 Política de gestão de colecções
4.3 Variedade de recursos
4.4 Desenvolvimento de colecções
4.5 Princípios de manutenção de colecções
4.6 Normas para colecções de livros
4.7 Normas para serviços de informação electrónica
4.8 Programa de desenvolvimento de colecções para novas bibliotecas 4.9 Taxas de aquisição e descarte

Capítulo 5 Recursos humanos

5.1 Introdução
5.2 Competências do pessoal de biblioteca
5.3 Categorias de pessoal
5.4 Normas éticas
5.5 Deveres do pessoal de biblioteca
5.6 Níveis de pessoal
5.7 Formação de bibliotecários
5.8 Acções de formação e actualização
5.9 Desenvolvimento da carreira
5.10 Condições de trabalho
5.11 Voluntariado
Capítulo 6 Gestão e marketing das bibliotecas públicas

6.1 Introdução
6.2 Competências a nível da gestão
6.3 Construção e manutenção de redes
6.4 Gestão financeira
6.5 Gestão dos recursos da biblioteca
6.6 Gestão de pessoal
6.7 Planeamento e desenvolvimento de sistemas de biblioteca
6.8 Gestão da mudança
6.9 Delegação
6.10 Instrumentos de gestão
6.11 Marketing e promoção

Apêndices

1 Manifesto da IFLA/UNESCO sobre Bibliotecas Públicas
2 Lei finlandesa das bibliotecas (904/1998)
3 Carta de utilizador (serviços da biblioteca do condado de Buckinghamshire)
4 Normas para os edifícios de bibliotecas - Ontário, Canadá e Barcelona, Espanha

Lista de recursos
Índice remissivo

Quem quiser conhecer o Manifesto da UNESCO para as biblotecas públicas podem ter acesso:


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